Prologue
du film Brasilia
Voyage Vers L'Aurore
(2004)

 

Conteúdo desta página
Filmando e entrevistando
Oscar Niemeyer
Rio de Janeiro
Rio
(2004)
The Painter and the Architect
by Gilbert Luigi
Exposições
Brasília. De Carne e Alma
(2005)
Cem Estrelas
(2007)
Cinqüantenario de Brasília
(2010)
Maison du Brésil
Paris
Exposição
Brasília. De Carne e Alma
(2010)
Galeria Rubem Valentim
Centro cultural Renato Russo
Brasília
Exposição
Brasília
(2011)
Espace Niemeyer
Paris
Exposição
Brasília. Meio Século
da Capital do Brasil

(2013)
Espace Niemeyer
Paris
Exposição
Brasília. De Carne e Alma
(2014)
Châlons en Champagne
France
Prólogo
do film Brasília.
Viagem em direção
à Alvorada

(2004)
Prólogo - 13 minutos
Prólogo do film Brasília. Viagem em direção à Alvorada.

Em 2004, tive a oportunidade e a honra de conhecer Oscar Niemeyer, no seu ateliê do Rio de Janeiro, durante uma manhã durante a qual ele tinha aceitado compartilhar suas lembranças sobre a gênese de Brasília diante da câmera, no contexto do meu projeto de filme que narrava as propostas da construção da cidade - um filme chamado Brasília. Viagem em direção à Alvorada.

Tinha escrito, produzido, financiado e dirigido essa entrevista filmada com a ajuda preciosa de Ana Cristina Costa e Silva (Dharma Filmes em Brasília), que ficou no papel de produtora executiva no Brasil, do meu amigo Jean-Thomas Renaud, diretor e diretor de fotografia francês que aceitou tomar conta das imagens e da luz na filmagem, de um engenheiro de som e de uma intérprete carioca. No fim da sessão, Oscar Niemeyer teve a generosidade de me oferecer esboços que tinha feito sobre os prédios de Brasília durante a entrevista. Em troca, o presenteei com a tela Aeroporto de Brasília, que eu tinha concebido especialmente para esta ocasião, como agradecimento por ele ter aceito receber-nos e ter nos confiado suas lembranças.

Pela mesma razão, lhe dei outra pintura minha alguns meses depois : Eaux! Eaux de Mars! (Águas! Águas de Março).

Logo em seguida, escrevi, produzi e montei treze minutos de filme, que chamei de Prólogo.
Apesar de todos os meus esforços em 2005 e em 2008, e apesar do apoio de produtoras parisienses que, por duas vezes, se envolveram para achar um financiamento junto às redes francesas de televisão - "Arte" por exemplo - não conseguimos montar Brasília. Viagem em direção à Alvorada.

Desta aventura restam mais de três horas de testemunhos filmados de Oscar Niemeyer - que conservei como o mais precioso tesouro - e esse pequeno Prólogo, que, apesar de todas as suas fraquezas, tem pelo menos o mérito de existir e sobretudo de mostrar o que o filme que eu tinha em mente teria podido ser, em termos de espírito artístico, de música, de tom narrativo e de imagens.

Brasília. Viagem em direção à Alvorada. O conceito.

Duas viagens paralelas:
- Uma viagem no tempo, de 1955 (lançamento do projeto), passando por 1960, data da inauguração da cidade, até a Brasília de hoje.
- Um viagem através do Cerrado Brasileiro, a bordo de um veículo, do Rio de Janeiro a Brasília, com a voz do arquiteto da cidade,
Oscar Niemeyer, acompanhando o viagem. Suas reminiscências servirão de fio condutorpara o filmagem.

ESTRUTURA:
A viagem através do Cerrado servirá de pano de fundo, de cenário para o viagem no tempo.
E graças à estrutura da sinopse e da montagem, essas duas viagens aparecerão como imbricadas visual e conceptualamente, no resultado final.
Parecerão desenrolar-se simultaneamente e desembocarão no mesmo ponto dechegada:
a Brasília de hoje, ao erguer-se o sol no horizonte, banhando em luz o Palácio da Alvorada.

O uso das músicas utilizadas na ilustração deste curta-metragem é baseado no princípio de "Fair Use", com o único propósito de dar uma idéia da atmosfera desejada para o filme "Brasília. Viagem em direção a Alvorada". Estas músicas são usadas num contexto não-comercial. Serão retiradas a pedido de quaisquer detentores de direitos autorais.
Filmando e entrevistando Oscar Niemeyer - 14 de janeiro de 2004 - Rio de Janeiro
2011
O Pintor e o Arquiteto
de Gilbert Luigi
Especialista em história da arte e da arquitetura

Entre a pintura e a arquitetura, os vínculos são muitas vezes milenares e, sobretudo, complexos, pois a natureza desses laços varia, por exemplo, conforme a época, os artistas, as técnicas de realização, as formas como se associam e as concepções artísticas que fazem evoluir, conjuntamente ou em separado, essas duas "artes do espaço", segundo a designação criada por Henri van Lier.

Sabe-se, por exemplo, que a nova arquitetura surgida na Itália na época do Renascimento existiu, inicialmente, apenas na forma de representações pintadas, a partir das quais eram efetuadas as encomendas e em seguida as construções.

Contrariamente ao que se supõe, embora a paisagem seja um gênero de pintura plenamente reconhecido, sendo praticado tanto de maneira autônoma como associado a outros gêneros, raros são os pintores que decidem fazer de uma única construção o tema de um quadro, ou seja, realizar uma espécie de "retrato" de um imóvel em vez de torná-lo o motivo de uma paisagem, por exemplo.

Entre os poucos que escolheram este caminho figura William Turner, com "Hôtel de Ville de Paris" e "Château d'Amboise", telas realizadas durante sua viagem à França (1802). Outro exemplo é Vincent van Gogh, que pintou o "retrato" de vários imóveis nos quais residiu em determinados momentos de sua vida, desde o período de Nuenen (1885) até sua morte em Auvers-sur-Oise (1890). Mas a experiência mais impressionante e complexa nesta área é, sem dúvida, a famosa série de 30 quadros que Claude Monet executou da catedral de Rouen, entre 1892 e 1894. Sobre essas obras, Georges Clémenceau declarou que "reunidas, (elas) representam um momento
importante da arte" (1895). Muito acertadamente, Kasimir Malevitch ressaltou que "Monet trabalhou acima de tudo a mudança do aspecto puramente físico da luz e não a catedral de Rouen em si" (1929).

Cabe sem dúvida situar neste movimento pictórico as obras de Jacques Benoit, que, com seu entusiasmo transbordante e um perfeito domínio da técnica, decidiu eleger as obras emblemáticas de Oscar Niemeyer como temas exclusivos, ou quase, de duas séries de quadros. Desde a primeira série, executada há vários anos e intitulada "Brasília. De Chair et d'Âme" (Brasília, de Carne e Alma), o campo composicional já estava definido: apresentar uma obra – o Palácio do Congresso ou a catedral de Brasília, por exemplo–, sob o ângulo mais característico, a fim de revelar o ritmo e a sensualidade que contribuem para o seu simbolismo.

Mas, para melhor evidenciar o espírito das obras celebradas em seus quadros, Jacques Benoit associa-as a personagens que, na maioria dos casos, sugerem uma certa dramaturgia ou coreografia, e coloca em cena o corpo de homens e mulheres, geralmente nus, em contraste ou em conivência com a obra, tanto por suas formas intrínsecas como por suas cores. É o caso do díptico "Criança" e "Mulher", e do conjunto de quatro quadros intitulado "Ritmo e Sensualidade" composto por "Florescimento 1 & 2" e "Construção 1 & 2", obras recentes que evocam o Cinquentenário da cidade.

Jacques Benoit utiliza formas francas e despojadas, revestidas de cores geralmente intensas, saturadas e contrastadas, aplicadas de maneira uniforme ou em camadas de materiais complexos e estruturados. Esse cromatismo, isento de mimetismos e em geral de um grande vigor, aocombinar-se com a relação inesperada entre a arquitetura

e as personagens, cativa e intriga o espectador, levando-o a questionar –e por conseguinte a contemplar– a tela, entrar no mundo do pintor e, enfim, sonhar. Sejam silhuetas anônimas que em alguns casos talvez evoquem o povo brasileiro, sejam retratos do próprio Niemeyer, as personagens constituem um dos fundamentos do jogo criado pelo artista.

Ora, para comemorar o Cinquentenário da inauguração de Brasília, Jacques Benoit concebeu particularmente a série "Construção!". Estas composições são desenhadas sobre papel com uma técnica mista que associa laca, pintura, lápiz, pastéis oleosos e secos que se entrelaçam. Suas superfícies, muito alongadas numa proporção de quase um por três, ultrapassam claramente o formato tradicional "marina" para impor a imensidade dos céus e a horizontalidade obstinada do Planalto revestido do cerrado, vegetação parcimoniosa original.

Então, enquanto no fundo aparecem quer nebulosidades grandiosas, quer a implacável luminosidade celestial vibrando com vermelhos profundos, brotam, entre os andaimes, as formas arquiteturais embrionárias, entre ortogonalidade et balanceios curvilíneos tendidos por Niemeyer.

Na sua visão da prodigiosa génese da capital brasileira, Jacques Benoit não celebra operários num canteiro de obras como foi o caso de Fernand Léger, por exemplo, com "Constructeurs" (1950): através de suas linhas afiadas, de seus grafismos carregados de lacas negras e de suas cores densas, ele traduz o gigantismo do território em obras, a complexidade e o pesadume da empreitada, a aspereza do clima, a omnipresença da laterita pulverulenta. Assim, as visões do pintor talvez se juntam com as que Niemeyer diz que teve durante visitas nocturnas de suas obras em construção, fora da atividade do canteiro de obras. Na exposição, além de seu poder de evocação intrínseco, esses desenhos de Jacques Benoit permitirão render com fulgor, por contraste, a plenitude e a ousadia das obras de Niemeyer uma vez acabadas, o que o pintor sempre alcança com seu talento.

Por outro lado, Jacques Benoit consegue conferir à arquitetura de Niemeyer uma nova monumentalidade, graças à maneira como enquadra as construções assim representadas, digamos. É o caso de quase todos os prédios que interessaram o pintor nas suas obras consagradas à capital brasileira, em todas suas séries.

Fascinado pelas obras de Niemeyer, Jacques Benoit celebra o ser arquitetônico, a quinta essência da construção em todo o seu esplendor. O resultado é que a arquitetura, que penetra na tela brilhando como uma jóia preciosa, faz esquecer a cidade por vezes evocada furtivamente pelas personagens que participam do sonho arquitetônico do artista. E essas personagens, com freqüência enigmáticas, colocam-se a serviço dos espectadores para que eles teçam, com a arquitetura representada nos quadros, laços difusos e tênues, mas radicados no inconsciente de cada um.
E então, como "videntes", segundo a expressão de Merleau-Ponty, podemos nos deixar invadir por uma meditação poética que conduz a um conhecimento íntimo da obra.

(2006 / 2010)

Paris Maison du Brésil
Brasília. De Carne e Alma - 2005
Cem Estrelas - 2007
Cinqüantenario de Brasília - 2010
Brasília. De Carne e Alma em Brasília em 2010.
Galeria Rubem Valentim - Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul

Exposição Brasília. De Carne e Alma
Outubro / Dezembro de 2010
Galeria Rubem Valentim
Centro Cultural Renato Russo 508 sul – Brasília


Uma produção DOCSTEEN
(Doc.CRIANÇAHD@JOVEMSCINEASTAS)


Depois de ter sido saudada na primavera de 2010 pelo Espaço Lúcio Costa da Casa do Brasil em Paris, e selecionada pela Comissão Brasileira oficial do Jubileu 50 Anos, a exposição Brasília. De Carne e Alma foi apresentada em Brasília, de 28 de outubro a 10 de dezembro de 2010, na galeria Rubem Valentim do Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul, por iniciativa do Secretariado de Estado da Cultura do Distrito Federal com a participação da Embaixada da França no Brasil.

Um agradecimento muito grande et muito especial a Elaine Ruas, a diretora do Espaço Cultural 508 Sul Renato Russo, pela sua amizade e seu apoio constante ao meu trabalho, que conseguiu que esta exposição possa existir. E a Silvestre Gorgulho, Secretário de Estado da Cultura do Distrito Federal de Brasília, pelo seu apoio e sua amizade, o que permitiu tambem que nossa exposição possa existir.

Meus pensamentos vão também, naturalmente, a Juliette Vincent pela sua amizade fiel e sua ajuda inestimável em todas as áreas.

Agradeço a Jocelyne e Yves Saint-Geours -o Embaixador da França no Brasil-, por o convite deles e este momento ensolarado na Embaixada da França que eles me ofereceram, e a Ana Lucia Niemeyer, para a honra de sua presença no coquetel de abertura de Brasília. De Carne e Alma em Brasília.

Especial agradecimento a Tininha Morato e Carla.

E também a Ione Carvalho, Françoise Cochaud, Pedro Eusebio Cuesta, Fernando Lemos e Carlos Alberto de Oliveira.

Brasília no Espace Niemeyer de Paris em 2011

Brasília. Meio Século da Capital do Brasil é uma mostra itinerante brasileira, que apresenta a história de Brasília através de arquivos, objetos, fotografias históricas e uma maquete da cidade, em grande dimensão.
Numa série de obras sobre tela e papel do pintor francês Jacques Benoit, a edição parisiense da exposição apresenta ainda o seu novo políptico A Ausência (The Absence), criado especialmente para o evento, em homenagem a Brasília e à memória do seu arquiteto.

Brasília. Meio Século da Capital do Brasil
no Espace Niemeyer de Paris em 2013
Coquetel de abertura de Brasília. De Carne e Alma pelo Deputado-Prefeito Benoist Apparu no L’Atelier (Châlons-en-Champagne – 14 de junho 2014)
Brasília. De Carne e Alma em L'Atelier em 2014
(Châlons en Champagne - France)
O Pintor e o Arquiteto
de Gilbert Luigi
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